Da Grécia, para mim, a maior lição de felicidade vem de Epicuro, filósofo do séc IV a.C. cuja principal crença era de que a vida consistia em buscar o prazer e se afastar da dor.
Epicuro é considerado o mais famoso dos hedonistas. E aqui vale esclarecer que o hedonismo epicurista não prega fazer tudo o que se deseja desenfreadamente, e muito menos ser negacionista em relação ao sofrimento e ao tédio. A interpretação de que hedonismo é viver só para satisfazer os desejos, especialmente a pegação e a balada forte, é bem equivocada.
Bora entender o que dizia esse cara? Garanto que você vai ser muito mais feliz depois de conhecer as lições de Epicuro para a felicidade.
Assim como seus antecessores Sócrates, Platão e principalmente Aristóteles, Epicuro pensava a felicidade segundo a noção de eudaimonia – “eu” (bem) e “daimon” (espírito ou genialidade) – isto é, ser feliz implicava necessariamente a ideia de ter uma boa vida com a alma tranquila.
Para isso, Epicuro desenvolveu uma disciplina dos desejos para que os seres humanos pudessem buscar o prazer e se afastar da dor.
“A palavra grega usada para “desejo” é epithymía, que significa “ter a mente voltada para algo” ou “lançar o espírito sobre algo”. Assim, os desejos são movimentos da alma em direção a determinados objetos.” Blog Razão Inadequada
Epicuro classificava os desejos em três classes:
Segundo ele, para ser feliz é preciso apreciar o prazer que sentimos com a satisfação dos nossos desejos naturais e necessários. A infelicidade vem quando só nos preocupamos com os desejos da segunda e terceira classes.

O hedonista grego nos lembra que somos seres capazes de compreender a realidade e o mundo e, a partir daí, fazer escolhas. E isso por si só já basta para conseguir ser feliz. A felicidade depende só da própria pessoa e é proporcional à sua capacidade de sentir prazer com pequenas coisas.
Outro aspecto importante apontado por Epicuro é compreender que a dor não é eterna e por isso pode ser suportada. Os males têm começo, meio e fim. A dor pode ser brutal, mas ela acaba.
E ele nos dá um caminho seguro para sermos felizes: a virtude. Em oposição, estão os vícios que nos afastam da felicidade. Para ele, dentre as virtudes, a que mais nos proporciona felicidade é a prudência, nossa capacidade de saber a medida do que podemos ou não fazer, considerando a saúde física e mental (que eles chamavam de espiritual). Afinal, felicidade é a tranquilidade da alma e do corpo (sem dor física).

Nesse momento, você deve estar pensando que grande parte do que ouviu na vida sobre hedonismo vai no caminho contrário ao epicurismo.
O mais comum é ouvir que o hedonista é excêntrico, focado em excessos e na satisfação de desejos como luxúria e gula.
Mas aquele que se diz epicurista entende o ritmo natural da vida, é mais experiencial do que direcionado pelo prazer futuro e reconhece a satisfação dos desejos mais simples.
Não precisa ser genial para saber qual dos dois conduz à felicidade perene né?
Agora convido você a fazer um exercício epicurista.

… um livro: pensei na Polyana mas acho que ela está mais para otimista do que para epicurista. Talvez Casa Velha, um conto de Machado de Assis. E nem adianta perguntar para o ChatGPT porque não vai vir nada legal.
… uma música: Happy, Pharrell Williams. Claro.
… dois filmes: Dias Perfeitos, do Wim Wenders – se você assistir esse filme sob a ótica epicurista estará diante de uma poesia no formato de cinema. E Sociedade dos Poetas Mortos, com o Robin Willians e o Ethan Hawke, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original em 1990.
Esse é o terceiro artigo da série sobre felicidade e filosofia.
No primeiro artigo falamos que felicidade é uma emoção e, por isso, passageira, mas que podemos sim traçar estratégias para nos sentirmos mais felizes no trabalho e na vida.
Gente feliz tem mais criatividade
No segundo artigo apresentei a vocês as lições de Sócrates, Platão e Aristóteles sobre felicidade.
Afinal, o que a filosofia tem a nos ensinar sobre felicidade – Parte I
Na semana que vem vamos para outra região do planeta. Vem comigo?
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Muito prazer, eu sou a Maris Harada, criadora do blog um novo jeito de pensar e fundadora da maris cocriação estratégica. Sou jornalista, advogada, publicitária e um pouco filósofa. Atuo como cocriadora estratégica e ofereço um novo jeito de pensar para pessoas e negócios.
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