No livro Do que eu falo quando falo de corrida, o autor Harumi Murakami compara seu trabalho como escritor de ficção com seu papel de maratonista e triatleta. Ele fala sobre rituais, disciplina e estratégias para “tirar leite de pedra”.
Eu sou corredora, não no nível de Murakami, mas também vejo esse paralelo da corrida com o trabalho, especialmente em relação à performance.
Minha primeira corrida de rua foi em 2018, quando me inscrevi pela primeira vez na Corrida e Caminhada do Graacc. Minha mãe venceu o câncer e se curou. Então, desde essa época, eu corro todos os anos pela cura e pelo tratamento de outras pessoas.
Correr para mim tem esse sentido de gratidão, meditação e diversão. A corrida liberta a minha mente de pensamentos e sentimentos persistentes. A vida fica mais leve.
Este ano, em algum momento, eu me afastei desse propósito e comecei a treinar para baixar o tempo, aumentar a distância, melhorar a passada etc. De repente, o que era leve, divertido e meditativo passou a ser mais um item na minha lista de To Dos, mais uma meta a ser batida.
O resultado? Vários períodos sem treinar por motivo de doença e um afastamento de mais de um mês por rompimento de ligamento, consequências de uma queda na escada.
E como eu percebi que estava obcecada por performance?
Essa tendência de bater meta e buscar performance, incessantemente, é muito forte para mim. Já passei diversas vezes por momentos assim na vida, no trabalho e até nos hobbies. Pensa numa pessoa que produz artesanato em massa, com processos sistematizados… Sou eu!
O problema da obsessão por performance é que nunca está bom, sempre falta. Mal você atinge uma meta, ela já aumenta. Nem dá tempo de comemorar. É como a corrida com a linha de chegada móvel da Red Bull.
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Eu tenho um pequeno aneurisma no coração, por isso meu médico solicitou uma avaliação com um cardiologista do esporte. O objetivo era estabelecer a zona de segurança já que na corrida é comum o batimento cardíaco subir bastante em momentos de esforço extremo.
Durante a consulta, depois de me examinar e não constatar problema algum, o cardio do esporte pediu para ver meu app de rastreamento. Ele acessou os dados da corrida de 10 km Run The Bridge e me disse: “Seu desempenho é excelente, pace de 5:37 com frequência cardíaca média de 141 bpm”.
Ao ouvir isso, a ficha caiu. Eu estava obcecada por performance…

A Run The Bridge tinha sido meu menor tempo para correr 10 km: 55 minutos e 33 segundos. Mas, ao terminar a prova, eu só conseguia pensar nos 3 minutos que eu não consegui bater. Nem o RP (recorde pessoal) eu comemorei…
A boa notícia é que quando percebo que estou presa na gaiola do desempenho, me liberto rapidinho e consigo virar a chave no segundo seguinte. A gente aprende com a experiência, rs.
Um mês depois, treinando com disciplina mas sem chibata e respeitando a minha singularidade, consegui reduzir esse tempo para 53 minutos e 39 segundos, meu RP atual.
Tudo isso para te dizer: a obsessão por desempenho vai fazer sua performance cair. Se você quer focar em algo, que seja no sentido do seu trabalho. Isso sim vai fazer você entregar o melhor que pode.
Espero que você tenha curtido a história de hoje e que possa refletir sobre sua relação com o desempenho.
Até a próxima!
Bjo,
Maris
………………….😊

Você reconhece suas gaiolas de desempenho? Eu contei pra você sobre a minha experiência com a corrida. Mas poderia apresentar para você muitas outras gaiolas de desempenho que fazem parte das nossas vidas.
No Mapeamento de Singularidade que realizo com meus clientes sempre aparecem gaiolas de desempenho. Vou listar abaixo as mais frequentes.
Agora convido você a pensar sobre quais são suas gaiolas de desempenho e como você pode se libertar delas.
Quer saber mais sobre o Mapeamento de Singularidade?

… um livro: Do que eu falo quando falo de corrida, de Harumi Murakami, um autor singular que expõe seus pontos de vista como escritor e como pensador a partir de suas histórias e experiências com a corrida.
… uma série: Slow Horses, com Gary Oldman esbanjando singularidade. Original Apple TV, com cinco temporadas disponíveis
… um videoclip: Ironic, de Alanis Morissette, que traz várias facetas da singularidade da cantora. Fala sério! O clipe é a cara dela: simples, criativo e bem produzido.
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Muito prazer, eu sou a Maris Harada, criadora do blog um novo jeito de pensar e fundadora da maris cocriação estratégica. Sou jornalista, advogada, publicitária e um pouco filósofa. Atuo como cocriadora estratégica e ofereço um novo jeito de pensar para pessoas e negócios.
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